REFLEXÕES DE UM PEDIATRA – 09/06/2026

Depois de décadas acompanhando crianças crescerem, comecei a prestar atenção em certas histórias. Algumas aparecem nos filmes. Outras aparecem nos jogos. Outras aparecem nas conversas. E todas parecem apontar para as mesmas perguntas.

Recentemente assisti ao filme Backrooms.

Confesso que, à primeira vista, não entendi completamente o fascínio que aquela história exerce sobre tantos jovens.

Corredores intermináveis.

Salas vazias.

Portas que levam a outras portas.

Nenhuma saída aparente.

Mas, alguns dias depois, lembrei-me de outro filme que havia me marcado muitos anos atrás com a mesma sensação: O Terminal.

Nele, um homem fica preso em um aeroporto. O aeroporto continua funcionando normalmente. Pessoas chegam. Pessoas partem. Aviões decolam. Aviões pousam. Mas ele permanece.

Enquanto pensava nesses dois filmes, algo curioso me ocorreu.

Talvez eles contem a mesma história.

O Terminal fala de um lugar criado para a passagem que se transforma em moradia.

Backrooms fala de um lugar onde parece já não existir destino algum.

E então me veio uma pergunta que não saiu mais da cabeça.

Talvez uma das grandes perguntas do nosso tempo seja justamente esta:

Estamos vivendo em espaços que nos ajudam a seguir viagem?

Ou estamos aprendendo a morar nos corredores?

Mais inquietante ainda:

Você ainda se lembra para onde estava indo?

Gostaria muito de ouvir o que vocês pensam sobre isso.

Paulo Roberto Pereira
Médico Pediatra, educador e aprendiz permanente da condição humana.

#ReflexõesDeUmPediatra #Juventude #VidaReal

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