Depois de décadas acompanhando crianças crescerem, comecei a prestar atenção em certas histórias. Algumas aparecem nos filmes. Outras aparecem nos jogos. Outras aparecem nas conversas. E todas parecem apontar para as mesmas perguntas.
Recentemente assisti ao filme Backrooms.
Confesso que, à primeira vista, não entendi completamente o fascínio que aquela história exerce sobre tantos jovens.
Corredores intermináveis.
Salas vazias.
Portas que levam a outras portas.
Nenhuma saída aparente.
Mas, alguns dias depois, lembrei-me de outro filme que havia me marcado muitos anos atrás com a mesma sensação: O Terminal.
Nele, um homem fica preso em um aeroporto. O aeroporto continua funcionando normalmente. Pessoas chegam. Pessoas partem. Aviões decolam. Aviões pousam. Mas ele permanece.
Enquanto pensava nesses dois filmes, algo curioso me ocorreu.
Talvez eles contem a mesma história.
O Terminal fala de um lugar criado para a passagem que se transforma em moradia.
Backrooms fala de um lugar onde parece já não existir destino algum.
E então me veio uma pergunta que não saiu mais da cabeça.
Talvez uma das grandes perguntas do nosso tempo seja justamente esta:
Estamos vivendo em espaços que nos ajudam a seguir viagem?
Ou estamos aprendendo a morar nos corredores?
Mais inquietante ainda:
Você ainda se lembra para onde estava indo?
Gostaria muito de ouvir o que vocês pensam sobre isso.
Paulo Roberto Pereira
Médico Pediatra, educador e aprendiz permanente da condição humana.
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