O MAPA E O TERRITÓRIO Durante séculos os mapas ajudaram as pessoas a encontrar caminhos. Mas ninguém confundia o mapa com a floresta. Ninguém confundia o mapa com a montanha. Ninguém confundia o mapa com a viagem. Hoje talvez estejamos diante de uma situação curiosa. Muitos jovens conhecem representações do mundo antes de conhecer o mundo. Conhecem imagens de amizade
A JANELA E O ESPELHO Imagine uma criança diante de uma janela. Pela janela ela vê o mundo. As árvores. As pessoas. A chuva. Os amigos. Os desafios. A janela não mostra a criança. Mostra a realidade. Ela existe para conectar. Agora imagine que, pouco a pouco, a janela seja substituída por um espelho. O espelho também mostra algo interessante.
O ELEVADOR Entramos. Apertamos um botão. Subimos. Descemos. Saímos. O elevador sabe exatamente para onde vai. Nós nem sempre. Quem está conduzindo sua viagem? Você? Ou apenas o fluxo? Paulo Roberto Pereira Médico Pediatra, educador e aprendiz permanente da condição humana
O HOMEM QUE SE APOSENTOU Durante quarenta anos ele respondeu à mesma pergunta: “O que você faz?” Sua profissão tornou-se seu nome. Sua identidade. Sua importância. Então chegou a aposentadoria. E a pergunta mudou. “Quem é você?” Talvez o trabalho tenha sido um corredor. O problema foi acreditar que era a casa. Quem você é quando ninguém precisa do seu
O TREM A plataforma estava cheia. Todos olhando para os celulares. Ninguém olhando para o horizonte. O trem chegou. Partiu. E por um instante pensei: Talvez a vida faça isso todos os dias. Será que estamos percebendo quando ela passa? Paulo Roberto Pereira Médico Pediatra, educador e aprendiz permanente da condição humana
O RELÓGIO Olhei para o relógio. Ele marcava o tempo. Mas não dizia nada sobre significado. Uma vida longa não é necessariamente uma vida vivida. O que você fez hoje que mereceria ser lembrado? Paulo Roberto Pereira Médico Pediatra, educador e aprendiz permanente da condição humana
SHOPPING VAZIO Você já entrou num shopping sem precisar comprar nada? Apenas caminhou. Observou as vitrines. As pessoas. As luzes. Os sons. E sentiu uma estranha sensação de vazio? Talvez porque os shoppings tenham sido feitos para vender coisas. Mas nós continuamos tentando comprar pertencimento. Comprar significado. Comprar felicidade. Será que algumas necessidades não podem ser encontradas em nenhuma vitrine?
O DIA EM QUE O SILÊNCIO FICOU DESCONFORTÁVEL Houve um tempo em que esperar era normal. Esperávamos o ônibus. A consulta. A ligação. Hoje qualquer intervalo é preenchido imediatamente. Tela. Vídeo. Mensagem. Notícia. Talvez não tenhamos medo do silêncio. Talvez tenhamos medo do que ele pode nos mostrar. O que aconteceria se você ficasse dez minutos sem fugir de si
O BANCO DA PRAÇA Existe um banco numa praça perto da minha casa. Todos passam por ele. Poucos sentam. Talvez porque sentar não produza nada. Não gere lucro. Não aumente indicadores. Mas algumas das conversas mais importantes da humanidade aconteceram em lugares sem utilidade aparente. Quando foi a última vez que você ficou em algum lugar sem objetivo? Paulo Roberto
Quando eu era criança, muitas bicicletas tinham rodinhas. Elas cumpriam uma função importante. Ajudavam a encontrar o equilíbrio. Davam segurança. Permitiram que milhões de crianças aprendessem algo que parecia impossível. Mas existe uma coisa curiosa sobre as rodinhas. Elas nunca foram feitas para durar. Nenhum pai sonha em ver seu filho adulto pedalando com elas. Chega um momento em que
Depois de décadas acompanhando crianças crescerem, comecei a prestar atenção em certas histórias. Algumas aparecem nos filmes. Outras aparecem nos jogos. Outras aparecem nas conversas. E todas parecem apontar para as mesmas perguntas. Recentemente assisti ao filme Backrooms. Confesso que, à primeira vista, não entendi completamente o fascínio que aquela história exerce sobre tantos jovens. Corredores intermináveis. Salas vazias. Portas
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